Inflação

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Oferta monetária e multiplicador bancário

Oferta Monetária e Multiplicador BancárioA oferta monetária é o total de dinheiro disponível numa economia num determinado momento. esto inclui o dinheiro em circulação (notas e moedas nas mãos das pessoas) e o depósitos à ordem (dinheiro colocado em contas bancárias mas que pode ser utilizado a qualquer momento). A oferta monetária pode ser dividida em 3 indicadores, o M1 (dinheiro físico e depósitos à ordem), o M2 (M1 mais os depósitos a curto prazo) e o M3 (M3 mais instrumentos financeiros mais complexos).

O multiplicador bancário ou o efeito multiplicador do crédito é a relação entre a oferta da moeda e a base monetária existente, ou seja a capacidade de os bancos ampliarem a base monetária através do crédito, assim sendo ao depositarmos dinheiro no banco, este não fica parado, os bancos usam parte desse dinheiro para fazer empréstimos a outras pessoas/empresas, criando assim mais dinheiro na economia.

Fonte: https://arkellconsulting.wordpress.com/2010/05/15/como-funcionam-os-bancos/

A inflação e os ciclos económicos

No mercado de ações, os efeitos da inflação variam, geralmente uma inflação moderada pode ser vista como sinal de crescimento económico, o que é positivo para as empresas, no entanto, uma inflação elevada e persistente pode prejudicar as ações, especialmente de empresas que têm dificuldade em repassar os aumentos de custos aos consumidores. Por outro lado, setores como energia, bens essenciais ou empresas com forte poder de fixação de preços tendem a resistir melhor. Para os investidores, é importante acompanhar as expectativas de inflação, pois influenciam tanto o desempenho das empresas como as decisões dos bancos centrais, afetando assim o valor das ações.

No mercado cambial, onde se trocam moedas de diferentes países, quando a inflação de um país é mais alta do que a dos seus parceiros comerciais, o valor da sua moeda tende a cair. Isto acontece porque o poder de compra da moeda local diminui, e os investidores perdem confiança nela. Como consequência, há menos procura por essa moeda, o que faz com que o seu valor baixe em relação a outras mais estáveis (como o dólar, o euro ou o franco suíço). Além disso, os bancos centrais podem responder à inflação com subidas nas taxas de juro. Se o aumento for significativo, pode atrair investidores internacionais à procura de melhores rendimentos, o que faz a moeda valorizar-se temporariamente. Mas se a inflação for muito alta e persistente, pode gerar incerteza e fuga de capital. Por isso, no Forex, os traders estão sempre atentos aos índices de inflação e às decisões dos bancos centrais, pois estes dados influenciam fortemente o comportamento das moedas.

No mercado de criptomoedas, o impacto da inflação é um pouco diferente dos mercados tradicionais, enquanto os bancos centrais podem imprimir mais dinheiro, muitas criptomoedas, como o Bitcoin, têm uma oferta limitada e controlada. Isso faz com que alguns investidores vejam o Bitcoin como uma proteção contra a perda de valor das moedas tradicionais, chamando-lhe por vezes “ouro digital”. Quando a inflação sobe muito, especialmente em países com instabilidade económica (como Venezuela ou Argentina), muitas pessoas procuram criptomoedas estáveis (como o USDT ou o USDC, chamadas de stablecoins) para proteger o seu poder de compra. No entanto, na prática, o mercado de criptomoedas é ainda altamente volátil. Mesmo com a inflação global elevada em 2022, o preço do Bitcoin caiu bastante, porque os investidores associam criptomoedas a ativos de risco — e em períodos de incerteza, tendem a procurar alternativas mais seguras. Assim, apesar do potencial como proteção contra a inflação, as criptomoedas ainda se comportam muitas vezes como ativos especulativos, e o seu desempenho depende tanto da inflação como da confiança dos investidores, da regulação e da evolução da tecnologia financeira.

Como proteger o património da inflação

Como proteger o património da inflaçãoProteger o património da inflação significa evitar que o valor real do teu dinheiro e bens diminua com o tempo. Famílias, investidores e até governos, usam diversas estratégias práticas para preservar poder de compra em contextos de inflação:

  • Investir em ativos reais, tais como o imobiliário, que tendem a subir de valor e além disso podem gerar renda através do aluguer; 
  • Investir em commodities, como ouro, prata, petróleo ou outros recursos naturais, geralmente aumentam ou mantêm o valor em períodos inflacionários;
  • Terrenos agrícolas, tem valor específico e podem gerar renda constante;
  • Obrigações indexadas à inflação, por exemplo os títulos de dívida, em especial no caso português, os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC), especialmente na sua versão CTPC série E, que incluía uma remuneração variável ligada à inflação;
  • Fundos e ETFs com proteção, existem fundos que investem em ativos protegidos contra inflação ou em setores menos afetados (energia, saúde, bens essenciais);
  • Ações de empresas com poder de fixação de preços (ex. energia, alimentação, farmácia), tendem a resistir melhor à inflação;
  • Algumas criptomoedas (com mais cautela, pela volatilidade superior aos restantes exemplos), bitcoin e stablecoins, poderão ser a melhor alternativa em relação à moeda local;

É importante reduzir o dinheiro parado, este numa conta bancária perde valor com a inflação, assim aplicar o dinheiro excedente em ativos que o façam crescer ou pelo menos manter o poder de compra. A regra é diversificar a carteira em diversas classes de ativos para assim diluir o risco. em ambientes de inflação alta, temos também de ajustar os nosso hábitos, revendo as despesas, renegociar contratos, adiar consumos não urgentes e estar continuamente informado sobre as oportunidades de investimento.

Que lições tirar de crises anteriores?

De uma forma geral, podemos tirar diversas conclusões ao analisar as crises do passado, conclui-se que a diversificação é fundamental, investidores que apostaram tudo num só setor podem perder fortunas, veja-se o exemplo de quem apenas tinha investido em imobiliário em 2008, que perdeu fortunas. Ganhar o hábito de constituir uma reserva de emergência, permite ter dinheiro para superar uma crise ficando menos vulnerável às dificuldades acrescidas. É essencial ter educação financeira, compreender o mercado e a complexidade dos seus produtos, permite que façamos investimentos conscientes, tal como Warren Buffett que dizia que apenas investia nos ativos que conhecia, assim dessa forma compreendia melhor o risco associado. Não devemos deixar dinheiro parado em contas à ordem, pois em períodos onde a inflação sobe rapidamente (anos 70 e pós-COVID) o dinheiro perde valor muito rápido. É um jogo de paciência e devemos ter sempre uma visão a longo prazo, os altos e baixos da economia (ciclos económicos) fazem parte e por norma momentos de euforia costumam ser seguidos de momentos de correção. Assim, também o papel do Estado, através dos bancos centrais e dos governos, têm um papel determinante para controlar os danos, desenvolvendo estímulos económicos, oferecendo garantias bancárias, subsídios, no entanto se a resposta destes for tardia ou mal traçada pode agravar as crises. No entanto nem tudo numa crise é mau, estas também trazem novas oportunidades quer em desenvolvimento (tecnologias, ciência, etc…) e quem se adapta rapidamente às novas realidades tende a sair mais forte.

O futuro não se advinha mas constroi-se